Andrey Santos e um revitalizado Mason Mount: O modelo para o novo meio-campo de Michael Carrick
O meio-campo do Manchester United tem sido um pouco como o Triângulo das Bermudas neste verão. Alvos de transferência desapareceram para destinos alternativos, enquanto jogadores completamente diferentes apareceram inesperadamente. Mas ainda resta um vazio?
Um Verão de Alvos Desaparecendo e Chegadas Surpreendentes
O principal alvo Elliot Anderson acabou no Manchester City, Mateus Fernandes foi para o Tottenham, e a transferência de Ederson nunca se concretizou. Mas tão rapidamente quanto esses negócios desmoronaram, os Red Devils agiram para fazer duas contratações um tanto surpreendentes: Andrey Santos, do Chelsea (US$ 64 milhões), e Youri Tielemans, do Aston Villa (US$ 47 milhões).
O meio-campo de Michael Carrick tem sido alvo de grande atenção. A saída do capitão brasileiro Casemiro e a falta geral de opções no centro do campo — agravada pela grave lesão de Manuel Ugarte — levaram o clube a procurar três novos meio-campistas durante a janela de transferências.
Dos dois já contratados, Andrey Santos foi lançado diretamente na pré-temporada. Enquanto isso, o capitão belga Tielemans recebeu tempo extra para se recuperar após levar sua nação às quartas de final da Copa do Mundo no mês passado.
O Teste de Estocolmo: Santos como o Metrônomo
Santos foi titular nos três jogos do United — uma derrota por 1 a 0 para o Wrexham, uma vitória por 5 a 0 sobre o Rosenborg e uma vitória por 2 a 1 contra o Atlético de Madrid. Atuando ao lado de Mason Mount, o brasileiro de 22 anos já acumulou minutos suficientes para dar uma ideia clara de como pode atuar quando os jogos se tornarem competitivos.
A reunião de sábado com o Atlético de Madrid na Arena Strawberry, em Estocolmo, proporcionou ao United o teste mais difícil até agora e é provavelmente o melhor indicador de como Santos será utilizado quando a temporada da Premier League começar. Carrick escalou novamente Santos ao lado de Mount, com o jovem Shea Lacey à frente da dupla na função de camisa 10 de Bruno Fernandes. Rapidamente ficou claro que o novo reforço está destinado ao papel mais recuado de "âncora".

Manchester United XI inicial contra o Atlético de Madrid em Estocolmo.
A sua capacidade de cobrir o terreno à frente da linha defensiva permitiu que Mount jogasse mais adiantado, numa função mais de área a área. Nesse aspeto, Santos pode ser considerado uma melhoria em relação a Casemiro; no entanto, aos 22 anos, o seu leque de passes e a sua estatura ainda não se equiparam aos do seu compatriota.
Perfil tático: O metrônomo e a pressão
Santos geralmente se posicionava mais recuado, recebendo a bola dos quatro defensores e fazendo passes curtos e precisos — um metrônomo mantendo a posse e reciclando a bola. Mas havia lampejos do outro lado do seu jogo. Aos 14 minutos, o meio-campista lançou um passe maravilhoso entre as linhas (lembrando Lisandro Martínez) para Bryan Mbeumo. Apenas uma falta na entrada da área impediu uma finalização após o excelente um-dois do atacante com Mount.
Houve também o ocasional passe elevado para o lado, para o ponta marfinense Amad Diallo, que fazia sua primeira partida como titular desde seu retorno da Copa do Mundo.
Crucialmente, foi Santos quem fez o passe para Lacey, resultando no jovem ganhar o pênalti que Bryan Mbeumo converteu para marcar o empate do United aos 53 minutos. O United estava perdendo desde o sexto minuto, após um cruzamento-chute que passou por todos e deu a liderança ao Atlético.
A pressão do United acabou prevalecendo, e Mbeumo garantiu a vitória por 2 a 1 ao marcar seu segundo gol na partida aos 74 minutos, uma finalização clínica que recompensou a atuação dominante do United no segundo tempo.
O Monte Ressurgimento
Defensivamente, o United não foi submetido a um exame minucioso por parte do Atlético. Posicionado à frente da linha defensiva, o Santos, de 1,80m, parecia um pouco pequeno, embora não tenha sido realmente testado pelo jogo aéreo. Ele não partiu para nenhum carrinho; em vez disso, posicionou-se de forma inteligente nas linhas de passe para atrasar os atacantes até que um companheiro pudesse voltar.
Aquele companheiro de equipa era invariavelmente Mason Mount. Na verdade, foi o inglês, e não Santos, quem realmente chamou a atenção.
Santos forneceu a base para Mount pressionar a bola e reforçar o ataque em uma atuação cheia de ação. Atuando nessa função mais recuada sob o comando de Carrick, o Mount de 27 anos — que enfrentou dificuldades com lesões desde que se transferiu do Chelsea em 2023 — realmente brilhou. Contra o Atlético, ele desarticulava as jogadas com desenvoltura e dançava pelo meio-campo com dribles e passes precisos, em uma atuação de melhor em campo.
Resolvendo o mistério: O projeto está completo?
Parece que Kobbie Mainoo e Tielemans, ambos ainda sem atuar após suas participações na Copa do Mundo, terão forte concorrência por essas vagas no time titular. Embora Carrick claramente veja Santos como o homem para ancorar a base do meio-campo, o United ainda pode precisar de mais profundidade no elenco. O jovem Jim Thwaites substituiu Santos aos 81 minutos, mas o jogador de 18 anos dificilmente dará o salto nesta temporada.
Talvez aquele terceiro meio-campista esteja se materializando no Triângulo das Bermudas agora.
No final das contas, embora o meio-campo do United tenha começado o verão envolto em mistério, o plano para a próxima temporada está lentamente se tornando mais claro. Andrey Santos parece ser o homem que desempenhará um papel de âncora disciplinado atrás de um meio-campista mais versátil. Ele certamente ainda não é o fenômeno que alguns fãs online fazem parecer, mas tem potencial para fazer desaparecer algumas das dúvidas defensivas do United.