O que aprendemos: o novo papel de Son e Gozo entra na briga por vaga na seleção dos EUA
Por Joseph Lowery
A 6ª rodada chegou ao fim.
O que aprendemos? Os jogos confirmaram o que já sabíamos ou mudaram o panorama da liga?
Vamos aos principais destaques de mais um fim de semana de ação na MLS.

ASSISTA: Todos os gols da 6ª rodada!
Para os torcedores do LAFC, é totalmente compreensível o entusiasmo com a vitória por 6 a 0 sobre o Orlando City no sábado. Goleadas desse tamanho são raras. Mas, no BMO Stadium, houve um motivo ainda maior para empolgação do que os seis gols sobre os Lions: o técnico Marc Dos Santos ajustou a função de Son Heung-min, e as mudanças deram ainda mais força ao ataque do LAFC.
Ainda sem sofrer gol na MLS, algo realmente impressionante, o LAFC não deixa dúvidas sobre sua solidez defensiva. Mas durante a pausa internacional houve quem questionasse — inclusive eu — a capacidade da equipe de criar chances de qualidade no ataque sem perder a concentração defensiva. Segundo a American Soccer Analysis, o LAFC não havia ultrapassado 1,3 em gols esperados em nenhum dos quatro jogos entre a vitória sobre o Inter Miami na abertura da temporada e a goleada sobre o Orlando.
O que destravou o ataque do LAFC no sábado? Além da atuação apagada do Orlando, a mudança de Son por Dos Santos para uma função de segundo atacante deu muito certo. Sem precisar fazer sozinho todo o trabalho de pivô como um camisa 9 isolado, Son deixou parte do trabalho central para Nathan Ordaz e pôde receber a bola de frente para o jogo e desequilibrar a partida.
O segundo gol do LAFC na partida — e a primeira das quatro assistências de Son na noite — é o exemplo perfeito. Depois do trabalho de pivô de Ordaz, derrubado no gramado, Son encontra espaço para avançar e aciona Denis Bouanga em velocidade. Uma jogada perfeita:
– Domingo, 5 de abril de 2026
O papel de segundo atacante pode não ser o encaixe ideal para Son em todos os jogos, mas funcionou muito bem no sábado e dá ao LAFC mais uma forma de potencializar sua estrela.
Então, o técnico da seleção dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, pode ter uma decisão a tomar sobre Zavier Gozo neste verão:
– Sábado, 4 de abril de 2026
Na prática, sem mais nenhum período de treinos da seleção dos Estados Unidos antes de Pochettino definir a lista para a Copa do Mundo da FIFA de 2026, Gozo provavelmente já não tem tempo para entrar no elenco deste verão. Ainda assim, é difícil contestar que o jogador formado em casa, de 19 anos, vem fazendo coisas que poucos atletas da MLS — ou do grupo da seleção americana — são capazes de fazer.
Na vitória do Real Salt Lake por 3 a 1 sobre o Sporting Kansas City, Gozo exibiu um repertório impressionante. Houve o gol ousado destacado acima, o trabalho rápido no um contra um pela direita, com três dribles certos em quatro tentativas, além do atleticismo, da movimentação inteligente sem a bola e da tomada de decisão cada vez melhor no terço final — qualidades que apareceram na assistência no segundo tempo:
– sábado, 4 de abril de 2026
A infiltração agressiva de Gozo por dentro ajudou o RSL a sair do próprio campo. Depois, sua paciência e capacidade de atrair a marcação fizeram com que os dois zagueiros centrais visitantes se comprometessem demais com o jovem, abrindo espaço para um passe simples para Sergi Solans concluir.
Gozo parece evoluir de um fim de semana para o outro. Não deve demorar para ele ser titular da seleção dos Estados Unidos.
Rápido: adivinhe em quantos jogos na temporada passada o FC Dallas teve mais de 45% de posse de bola após a saída de Lucho Acosta.
Zero? Exatamente. No fim de 2025, Eric Quill não hesitou em recuar o Dallas para o próprio terço defensivo, absorver a pressão e tentar atacar no contra-ataque. Sem um meia ofensivo centralizador como Acosta no elenco, parecia razoável imaginar que o FC Dallas manteria em 2026 sua linha de pressão extremamente conservadora. Mas, na prática, a situação tomou outro rumo no Texas.
A vitória por 4 a 0 sobre o D.C. United no sábado foi a terceira vez em seis jogos em que o FC Dallas teve pelo menos 49% de posse de bola nesta temporada. É claro que ter mais posse não faz, por si só, um time melhor. Mas, com disposição e, sobretudo, capacidade para usar a bola de forma mais eficiente nos momentos certos, a equipe de Quill parece mais perigosa do que nunca.
Com uma lista cada vez maior de jogadores à vontade com a bola — como Ramiro e Logan Farrington na jogada de um dos gols do fim de semana, Petar Musa se firmando como um dos atacantes mais completos da MLS e Joaquín Valiente e Santi Moreno ganhando espaço no ataque — fica fácil entender por que Quill afrouxou um pouco o controle da posse em 2026.
O FC Dallas não deve ter um estilo à la San Diego FC na posse de bola. Mas os primeiros sinais indicam que será muito, muito difícil de ser batido.

ASSISTA: Logan Farrington comanda o FC Dallas na goleada sobre o DC United
Na primeira partida da história do Nu Stadium, o cenário estava montado para o Inter Miami estrear sua nova casa com uma vitória.
Em vez disso, o Austin FC abriu o placar diante de um estádio lotado e quase garantiu os três pontos, antes de um gol tardio de Luis Suárez salvar um ponto no empate por 2 a 2 de sábado.
Não se engane: os mandantes criaram chances mais do que suficientes no segundo tempo para merecer a vitória. Mas o Miami começou em ritmo abaixo e precisou reagir após sair atrás para evitar a derrota. Foi também o quarto jogo em seis na temporada regular em que o Miami se viu em desvantagem no placar. Os outros dois? Uma vitória sem brilho por 2 a 1 sobre o D.C. United e um empate por 0 a 0 fora de casa com o Charlotte FC, ainda que com uma equipe alternativa.
Com inícios lentos, mesmo ocupando o quarto lugar na Conferência Leste, as dores de crescimento do Inter Miami são bem reais neste momento.
Após uma intertemporada marcada por mudanças, o técnico Javier Mascherano repetiu a mesma escalação titular em jogos consecutivos da temporada regular apenas uma vez neste ano. E ver Germán Berterame perder a vaga entre os titulares poucas semanas após o início da temporada não estava nos planos para 2026.
Conclusão: Mascherano ainda busca a melhor formação. Se o ano passado servir de referência, ele vai encontrá-la. No momento, porém, o Inter Miami parece mais um time com falhas do que impecável.

Melhores momentos: Inter Miami CF x Austin FC | 4 de abril de 2026
Na última temporada, apenas seis equipes da MLS cederam mais xG por jogo do que os 1,75 do Chicago Fire FC, segundo a American Soccer Analysis. Nesta temporada, apenas três equipes da MLS cederam menos xG por jogo do que os 1,02 de Chicago.
A equipe vive uma verdadeira virada defensiva, refletida nas mudanças no time titular. No meio-campo, o recém-chegado Anton Saletros oferece muito mais imposição física do que Sergio Oregel, enquanto Robin Lod acrescenta uma presença defensiva bem maior que a de Brian Gutiérrez. Na linha de defesa, o sul-africano Mbekezeli Mbokazi tem se destacado como zagueiro em sua primeira temporada na MLS.
Os três jogadores foram decisivos na vitória por 1 a 0 sobre o Nashville SC no sábado, quando Philip Zinckernagel marcou com 17 segundos de jogo e o Chicago Fire manteve o controle até o fim. Apesar da força ofensiva do Nashville, o Chicago não cedeu à pressão. A equipe teve apenas 43,2% de posse de bola, um dos índices mais baixos da era Gregg Berhalter. Foi uma noite de superação para o Chicago — e o time correspondeu. Difícil imaginar isso sendo dito sobre a equipe da última temporada.
O ataque do Chicago ainda precisa evoluir para voltar a ser tão perigoso quanto no ano passado. Mas, com o elenco recuperando a forma física, mais tempo para ganhar entrosamento e talvez até reforços de peso na janela de verão, não é difícil imaginar o Fire chegando a esse nível.
De qualquer ângulo, o Fire é um time que deve ser levado a sério. A vitória sobre o Nashville no último fim de semana comprovou isso.

ASSISTA: Philip Zinckernagel e o Chicago Fire esfriam o Nashville SC